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Maria João

em 24/06/20


Os norte-americanos andam às voltas com o uso cada vez maior de nomes tradicionalmente masculinos em meninas e nós, por aqui, vemos o fenómeno com alguma desconfiança mas a verdade é que, em certa medida, não é nada a que não estejamos muito habituados, há muito tempo. Por cá, o uso de Maria José e de Maria João é secular, sendo duas das composições mais clássicas de que nos podemos lembrar. 
Sendo nomes compostos antigos, acho que Maria João nunca soou de forma tão fresca como nos anos 90, quando Ana era o primeiro nome de eleição e Maria João se afigurava como uma das poucas fugas à norma bem sucedidas. Com muita pena minha, não tenho dados que me permitam aferir a popularidade de Maria João nessa década, mas imagino que uma parte considerável das 2400 Marias nascidas em 1995 pudessem ser Maria João. Certo, certo, é que, alguns anos mais tarde, em 2013, numa altura em que a tendência já tinha mudado por completo e Maria tinha regressado ao topo do ranking, Maria João foi o 5.º nome composto mais registado em Portugal, a par de Maria Beatriz, tendo sido escolhido para 163 meninas. 
O carisma de Maria João estará, claro, associado ao amor que temos por João, nome masculino predilecto dos portugueses ao longo de décadas e décadas. E se João, sozinho, nunca perde a leveza e o ar de jovialidade, é isso mesmo que acaba por acontecer com este composto, que tem resistido muitíssimo bem à passagem do tempo! 
O que é que vocês acham de Maria João? Conhecem muitas? Concordam que continua a ser uma opção apelativa para os dias de hoje? Os compostos mistos agradam-vos? Há alguma combinação que recomendem particularmente?

Duarte

em 27/07/15


Tivesse eu dez filhos e um deles chamar-se-ia Duarte, de certeza absoluta! Gosto tanto, que nem sequer a popularidade atual seria um problema - e, como tão bem sabem, isto diz imenso sobre os meus sentimentos por Duarte! O fascínio face a este nome é antigo, mas acentuou-se quando me apercebi que é dos poucos nomes que praticamente só se usam em Portugal. Trata-se de uma variante portuguesa de Eduardo ["guardião glorioso"], através do francês Édouart, que também originou Eduarte que, entretanto, caiu completamente em desuso. 
No Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado indica que, muito possivelmente, o primeiro português a receber este nome foi o rei D. Duarte e que o nome foi escolhido em homenagem a Eduardo III de Inglaterra, o avô de sua mãe, D. Filipa de Lencastre. Assim começou o uso de Duarte, que nunca mais caiu no esquecimento mas o nome está em franca ascensão desde 1997, altura em que entrou no top 50. Em 2010 alcançou pela primeira vez o top 20, em 2013 ultrapassou os mil registos anuais e em 2014 já ocupava a 8.ª posição do ranking de nomes masculinos mais utilizados em Portugal, sendo alvo de 1244 registos. Feitas as contas, foram registados 13,800 entre 1990 e 2014, o que é um número bastante significativo! 
Encaro Duarte como um nome de uma extrema simplicidade, o que, para mim, é o sinónimo mais inequívoco de elegância; além do mais, é tipicamente português. Dá para pedir mais?

Os meus queridos leitores do Brasil não são efusivos quanto a Duarte porque por lá é quase exclusivamente sobrenome. Aqui também é apelido [era, aliás, um dos apelidos do meu avô paterno], mas não é dos mais  populares. Esta condição de nome próprio/apelido verifica-se com outros nomes que se usam bastante no momento, como Santiago, Afonso, Salvador, Vicente, Lourenço ou Xavier. Há nomes brasileiros que também tenham esta dupla função?
  

Nomes tipicamente portugueses

em 15/04/14


Acontece com frequência abordarmos aqui nomes que não tardam a ser rotulados de "nomes brasileiros", devido, não à sua origem, mas ao frequente uso entre os cidadãos do Brasil. Porém, também devem existir nomes que, aos ouvidos dos brasileiros, são imediatamente associados aos portugueses. A pergunta é: quais?